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6 de junho de 2010

Uma sensação generalizada de desgraça iminente da qual não se pode escapar não importa o que se faça


Já que eu me dei tão bem
(cof cof) com a crítica de cinema, vou experimentar agora a crítica literária.

Com as guei hiperventilando com o fim de Lost, não pude deixar de lembrar das Desventuras em Série. Pra quem não sabe, são 13 livros do Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler) contando a história dos irmãos Baudelaire.

No começo, é tudo muito simples: Violet, Klaus e Sunny são três irmãos que ficam órfãos depois do incêndio que consome a mansão em que moravam, e são acolhidos pelo Conde Olaf, que só queria se apropriar da fortuna dos Baudelaire. Com o decorrer da série, porém, aparecem dossiês, diários, organizações secretas, fungos extremamente venenosos, monstros marinhos e a possibilidade de que um dos Baudelaire-pais ainda esteja vivo. N'O Fim (o 13º livro), ao invés das respostas que os leitores esperam surgem novas perguntas.

Os livros são infantis, mas não deixam de ser muito bem escritos. O autor tem um estilo sarcástico e nonsense que corresponde muito ao meu senso de humor. As situações são absurdas, as personagens (com exceção dos protagonistas) são burras e extremamente estereotipadas.

Esse post, na verdade, é para citar algumas máximas do livro que eu acabei de ler: "Raiz-forte - Verdades amargas que você não pode evitar", que reúne frases retiradas da obra de Snicket. As minhas favoritas:

"Há algumas pessoas que acreditam que o lar é o lugar onde se pendura o chapéu, mas essas pessoas tendem a morar em armários e pequenos cabideiros."
"A expressão 'Aqueles que não podem fazer ensinam' é curiosa, porque, se você olhar para o mundo, verá que os professores não são especialmente piores em fazer coisas do que qualquer outra pessoa, e assim a expressão talvez pudesse ser mais bem formulada como 'Ninguém pode fazer nada'."
"Uma biblioteca é como uma ilha no meio de um vasto mar de ignorância, especialmente se a biblioteca for muito alta e a área em torno tiver sido inundada."
"Em uma emergência, frequentemente descobrimos que os nossos companheiros podem ser de ainda menos valia em circunstâncias extraordinárias do que em uma noite comum."
"Uma das coisas notáveis sobre o amor é que, a despeito de pessoas muito irritantes que escrevem poemas e canções sobre o quanto ele é prazeroso, ele é realmente muito prazeroso."
"A coisa que você espera que nunca aconteça com você pode, em vez disso, acontecer justamente com outra pessoa, que passou a vida com medo da coisa que vai acontecer com você."
"Quase tudo nesse mundo é mais fácil de falar do que de fazer, com exceção de 'oferecer subsídios sistemáticos à furtiva, e tão suscetível a cistos, irmã de Sísifo', que é uma coisa mais fácil de fazer do que de falar."
"A citação de um aforismo, como os latidos zangados de um cão ou o cheiro de brócolis cozido demais, raramente é sinal de que algo proveitoso está para acontecer."

5 de maio de 2010

Alice: Nárnia revisitada

Contém spoilers, mas só um pouquinho

Porque agora, além de cadernos, carteiras, bolsas, camisetas, flores, canecas, adesivos, panos de prato, blogs, animações e especiarias gastronômicas, nós também fazemos crítica de cinema.


A equipe do Meia Mussarela Corporation foi assistir Alice do Tim Burton a fins exclusivos de pesquisa – porque nós não somos pessoas irresponsáveis que vão ao cinema em plena segunda-feira-véspera-de-prova-de-marketing só pela diversão. E como nós não queremos enganar ninguém, temos que dizer que gostamos.

Claro que a história não é a original, mas quem se importa, né? A Alice está inclusive muito menos irritante do que no livro – o que é de certa forma um mérito. A partir da metade do filme ela até começa a maneirar um pouco naquela cara de Bella e fica mais simpática.

Mesmo que o filme fosse ruim, valeria a pena só pela cena da queda no buraco (como a Ju disse, “finalmente uma versão em que ela cai pra valer”). E se você não tiver um prazer mórbido em ver a Alice se arrebentar no chão depois de quase ser atropelada por um piano, ainda pode se divertir com o 3D. Eu humildemente acho que o efeito foi bem melhor aproveitado em Alice que em Avatar.

(E aqui eu abro um parêntesis pra dizer que –porra!- eu fui ver Avatar só pelo 3D e quase nem vi 3D! Aí os intelectualóides de plantão dizem que “essa é a grande sacada, o 3D é usado de forma sutil, dá só uma profundidade na tela”. E eu lá paguei 11 reais e fiquei 3 horas usando aquela droga de óculos pra ver PROFUNDIDADE? Eu quero é que todas aquelas explosões, bichos voadores e plantas-neon saiam da tela! Eu sou o público consumidor, eu tenho dinheiro, me impressionem!)

O filme também é tooooodo referenciado em clássicos do cinema, como Senhor do Anéis, Harry Potter, A Bússola de Ouro, Nárnia, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Titanic, Piratas do Caribe, Coração de Dragão, o próprio Avatar, Stefhanny Absoluta e outros (quem achar mais, me conte!). Na atuação, destaque pra Mrs. Burton que está ó-te-ma de Rainha de Copas, Johnny Depp foférrimo numa versão meio desamparada do Chapeleiro Maluco, e aquela moça que tem o rosto maior que a cabeça jurando que é Miss Wonderland no papel da Rainha Branca.

Pra não fugir do óbvio, Alice tá toda trabalhada no vestidinho azul (que, nas suas mudanças de tamanho, assume desde um visual meio diáfano de ninfa das águas ou um modelinho mais burlesco com babados, até um surpreendente estilo Galadriel no final). O que também surpreende é o desfecho, quando Alice de repente prova ser uma mulher de visão no mundo corporativo. Pra vocês verem como esse filme pode estar aí influenciando toda uma nova geração de jovens empreendedores.

Mas o que foi a cena do Johnny Depp fazendo o Rebolation, hein? Absolutamente desnecessária.